
DJ Produtor Rodrigo Hasson
Então decidi colocar uma fita adesiva (o famoso “DUREX”) no cabeçote de gravação do tape-deck para gravar a música seguinte no finalzinho da anterior.
Desta forma, conseguia mixar as duas músicas (de forma bem tosca, claro!), sem sobrepor totalmente o som.
Quebrava um galho, mas é lógico que eu precisava de um mixer. Aproveitei então uma viagem do meu pai ao exterior e pedi que ele trouxesse um modelo básico. Ele acabou me trazendo um mixer profissional – NUMARK – com 4 canais e vários recursos. Não tinha noção de como aproveitar ao máximo todos os recursos do aparelho.
Um primo, vendo a minha situação, convidou um amigo DJ que, além de mixar, me mostrou técnicas de pitch e acapellas em cima das bases, entre outras coisas. Depois daquele dia, fiquei encantado com as diversas possibilidades de reproduzir as músicas e decidi treinar com duas pick-ups domésticas, sendo uma com pitch e outra sem. E assim fui me aperfeiçoando até me tornar profissional.
2. Desde o início, passando pelos tempos da TOCO, conte como seguiu a sua carreira de DJ.
Minha carreira profissional começou em 1990, como residente da Hippodromo, no mesmo ano em que nasceu a DJ Sound. Lembro disso porque o Ricardo e o Fernando Sarmiento levaram as primeiras edições da revista para mim no club, e eu aproveitava para fazer o playlist da casa para a publicação.
Passei a atuar, posteriormente, como residente da Toco, que foi uma grande escola! Lá permaneci por mais de 3 anos e pude tocar de tudo, além de trabalhar ao lado dos maiores DJs da época.
Após minha saída da Toco, fiz a temporada de verão (1996/97) no Sirena (Maresias) e, logo depois, atuei como residente da Over Night.
Lá fiquei até o final de 1998, quando me tornei advogado.
A partir daí, toquei em várias festas até entrar no Cabral, em 2001, onde fizemos diversas festas eletrônicas na famosa matinée de São Paulo.'
Na época do “boom” da música eletrônica em São Paulo, fiz com que o Drum & Bass fosse o principal estilo da pista.
3. O que você coloca em seus sets musicais para dançar a galera atualmente?
Atualmente, prestes a completar 21 anos de carreira, me estabilizei novamente na House Music e suas vertentes, e meu set varia dependendo do tipo de evento, público e horário em que irei tocar, pra saber para que lado que vou levar. Não vou, por enquanto, me segmentar em um único tipo de House, mas a minha preferência atual é pelo Progressive, com uma pitada de Electro, assim como estão saindo algumas de minhas produções.
4. Como foi a chegada ao Progressive House ?
Recebi um convite do Michael Saad pra integrar sua agência de DJs, a MS3, e aproveitei a oportunidade para voltar a tocar House, o que me abriu várias oportunidades. Em um pouco mais de 1 ano, já toquei em alguns dos principais clubs de São Paulo, como a Kiss & Fly, Disco, 3p4, Dorothy Parker, Club A, Pacha, Pink Elephant e Mokai, entre outros, além de grandes festas como Ministry Of Sound e UMF (Warm Up Party). Agora em novembro, dia 19, tocarei no Intercollege, que acontece no Sambódromo do Anhembi, e que pretende reunir milhares de pessoas.
5. Quais são suas experiências de discotecagens pelo Brasil ?
Já toquei em inúmeros clubs, festivais e eventos em diversas cidades brasileiras, como Florianópolis, Curitiba, Belo Horizonte, Angra dos Reis, Vila Velha, Guarapari, Vitória, Foz do Iguaçu e Brasília, além de muitas outras. Também já passei por muitas cidades do interior do Estado de São Paulo. Sou constantemente convidado para apresentações em cidades como Campos do Jordão, São José dos Campos, São José do Rio Preto, Sorocaba, Americana, Franca, Marília, Itu e Taubaté, só para citar algumas, e sempre levo o melhor do meu trabalho para esses locais.
6. Como foi a retomada de um novo estilo musical na sua carreira de DJ, Produtor?
Foi natural! Como toquei House Music por 10 anos - desde o início da minha carreira - e sempre gostei, foi só voltar a comprar mais músicas do estilo! Até porque sempre me mantive atualizado, já que tive ótimos DJs como companheiros de cabine que tocavam House, Electro, Tribal e Progressive House. Já na produção, tive que estudar mais a fundo o estilo, pois estava acostumado a produzir Drum & Bass.
7. Quais são suas escolhas nos timbres, loops, base para suas produções atuais ?
Ainda incluo, em algumas das minhas tracks atuais, determinados elementos característicos da minha escola anterior, como bateria mais trabalhada, melodia e baixo bem definidos, porém em 128 BPMs.
Gosto de pianos e um bassline grande, às vezes puxado pro Electro. Os synths são peculiares do Progressive House em muitas das minhas tracks. Já na bateria, escolho um Kick e timbro pra ele ficar intenso, com o Snare um pouco marcante e Hi Hats com bastante dinâmica, para deixar a música bem swingada.
Às vezes somo alguns loops de bateria pra preencher com percussão os espaços e ficar bastante ritmado.
8. Quais são suas referências musicais?
Tudo que eu ouvi na vida e gostei serve para mim como referência. Desde o Funk & Soul, dos anos 60/70, passando pela Disco Music, R & B, Rock, Reggae e Jazz, até chegar ao House, Acid, Trance, Trip Hop, Hardcore, Jungle e Drum & Bass, eu uso tudo como referência. Desde um simples "Kick" até uma melodia, o que eu ouvi é que me traz bagagem para produzir.
9.
Quem participou neste track "Perfect Harmony", como foram as
interações, trocas de experiências? E as escolhas dos Remixers, DJs,
produtores?Nesta track, utilizei como referência a produção de Marshall Jefferson – Someday de 1987, que no início da década de 90 foi sampleado por Liquid e Urban Shakedown.
Desta referência refiz a melodia e trabalhei alguns trechos da composição, para que a Perfect Hamony ficasse com uma cara mais atual.
Os vocais são da Ginna Garcia, do Raça Negra. Os remixers Jason Bralli, Marcelo Carvalho e Rafael Resende foram os escolhidos da Bralli Records, para que o release fosse mais diversificado e contemporâneo. O resultado agradou diversos Top DJs Internacionais, como Paul Van Dyk, Markus Schulz, Judge Jules, Studio Brothers e Monsta.
Contabilizamos mais de 100 feedbacks positivos entre DJs e diversas rádios de todo o mundo.
10. Como foi entrar na era das produções musicais pelos DJs, aqui no Brasil? Os softwares ajudam bastante? Quais que você gosta de utilizar para elaborar seu Mixes e Remixes? Pode citar quais e por quê?
No Brasil, geralmente as coisas são mais demoradas mesmo. E no quesito produção não foi diferente. Os DJs europeus e americanos sempre tiveram a cultura de que DJ também pode ser produtor.
Acho que pelo profissionalismo com que as coisas são tratadas lá fora, eles acabam levando essa vantagem de serem pioneiros em quase tudo mesmo.
Demorou, mas estamos na era em que se quiser ser considerado aqui no Brasil um grande nome como DJ, também terá de produzir.
E para isso não faltam ferramentas, a começar pelo aclamado Ableton Live, que é um software completo para DJs e com uma interface mais amigável. Mas para produzir, prefiro o Cubase, que me foi apresentado pelo excelente DJ e produtor Dinho MK3 como “A” ferramenta de produção. Depois que fiz o curso deste software com ele, pude comprovar a qualidade profissional do software para produção. Pra tocar utilizo o Serato Scratch Live.
Então acabo empregando o Ableton mais pra gravar sets ao vivo e também editar megamixes, como os que estou finalizando para um CD com tiragem de 3.000 cópias para comemoração dos meus 20 anos de carreira, onde eu conto resumidamente em mais de 200 músicas a minha história como DJ.
11. Como você divide suas atividades também profissionais de outros negócios? Tem dedicação de 100%?
Agora estou dedicando mais tempo da minha vida profissional na carreira de DJ, pois até então eu tocava mais por paixão mesmo. Hoje além da paixão, trabalho um lado estrutural para que a carreira fique mais consolidada e profissional.
Então me programo bem para estar presente nas atividades paralelas do Cabral, reuniões etc.
Já na questão jurídica, só atuo quando sou solicitado pelo escritório de advocacia do meu pai para prestar auxilio.
12. Suas tracks fazem pista no Club CABRAL de onde você faz parte também? Na realidade, o som da pista eletrônica do Cabral normalmente é mais puxado para o lado comercial da Dance Music.
Como é uma casa muito grande e com vários ambientes, fica muito difícil aplicar um conceito mais depurado por lá, com exceção de festas específicas que eu costumo fechar no Cabral.
Ou seja, minhas tracks atuais não são produzidas só pensando em tocar naquela pista, mas acabamos mesclando.
Contudo, as minhas músicas eram Hits no Cabral no período em que o Drum & Bass era o principal estilo da pista eletrônica e até hoje encontro pessoas que se lembram daquela época e comentam sobre minhas faixas.
13. Fique a vontade de comentar algo de seu interesse!
Dia 02 de novembro já estará disponível para venda no Beatport o meu novo EP, que sai pela Bralli Records.
Este release contém duas faixas: “Metronome”, que utilizei justamente o toque do metrônomo pra sequenciar variações percussivas que são a alma desta música. E a faixa “Keep On Movin”, que tem uma melodia entoada como na Perfect Harmony, com baixo e acordes bem compassados.
Já recebi diversos feedbacks positivos deste EP, dentre eles, dos Top DJs Sebastian Ingrosso, Paul van Dyk e Markus Schulz.
TOP 10 – Atual
1. Rodrigo Hasson – Perfect Harmony (Original Mix)
2. Eric Prydz - 2Night (Original Mix)
3. Armand Van Kassy – Where’s My Peace (Original Mix)
4. Rodrigo Hasson – Metronome EP
5. Eats Everything - Entrance Song (Original Mix)
6. Matteo DiMarr - Creep (Original Mix)
7. Rodrigo Hasson vs. Moby – Porcelainized (Original Mix)
8. Haske, Johnson & Jerome Isma Feat. Mo Morsy - Too Bad Too Forgive
9. Crazibiza - Eastchester (Original Mix)
10. Tommy Vee - Stay (Dub Mix)
http://www.beatport.com/artist/rodrigo-hasson/215639
rodrigohasson.contato@gmail.com








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